Apesar de ter a maioria do público jovem, o sertanejo de hoje em dia também vem conquistando os mais velhos
Tonico e Tinoco, Pena Branca e Xavantinho, Chico Rey e Paraná, Tião Carreiro e Pardinho... a lista de duplas sertanejas dos anos 60/70 é extensa. Muitas delas já não existem mais, como é o caso de Pena Branca e Xavantinho, que ambos cantores já faleceram. Mas este público do sertanejo raiz está migrando, aos poucos, para o sertanejo universitário
Discos das décadas de 60/70
Muito adorado pelos jovens, o Sertanejo Universitário, mudou muito a forma do sertanejo convencional, já que alguns instrumentos como a sanfona, se tornaram mais eletrônicos, Tornando a música com um ritmo um pouco mais acelerado. Sua composição tem como temas de festas, mulheres, por vezes engraçada, e chama-se sertanejo Universitário pelo fato de que seus maiores apreciadores são aqueles em sua maioria que estão na faculdade. De origem pantaneira oriunda do estado do Mato Grosso do Sul, tendo como seus precursores a dupla João Bosco e Vinícius, que em 1994 iniciaram sua carreira tocando em bares para universitários na capital Campo Grande.
O adjetivo "sertanejo" refere-se aos locais afastados, longe das cidades, ainda que possa ser mais presente para alguns a sua relação com a cultura nordestina, do interior, que encontrou vegetação e clima hostis, além da dominação política dos "coronéis", obrigando a desenvolver uma cultura de resistência, do matuto, legitimamente sertanejo, conhecedor da caatinga. Difere-se da cultura caipira, especificamente originária na área que abrange o interior de São Paulo e os Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Ali se desenvolveu uma cultura do colono que encontrou abundância de águas, terra produtiva e um clima mais ameno, típico do cerrado. É conhecida como "caipira" ou "sertaneja" a execução composta e executada das zonas rurais, do campo, a antiga Moda de viola. Os caipiras, ou sertanejos, às vezes duplas ou solo, utilizavam instrumentos artesanais e típicos do Brasil-colônia, como viola caipira viola, acordeão e gaita.
Um exemplo de fã do sertanejo raiz que também está “aprendendo” a gostar do universitário é o aposentado de 65 anos Arnaldo Galvão Castilho. “Gosto muito de música raiz, tenho vários discos de vinil em casa e sempre escuta quando possível, mas por influência do meu neto de 19 anos, estou virando fã de cantores mais novos, como João Neto e Frederico”.
Muito emocionado, Arnaldo conta da sua amizade com a ex-dupla Pena Branca e Xavantinho. “Eu era amigo pessoal dos dois, quando crianças, nós morávamos no mesmo bairro, na cidade de Igarapava-SP”. O aposentado diz ter um carinho especial pela dupla, mas ressalta que também gosta muito de outras. “ Apesar deles serem meus preferidos, também tenho carinho principalmente por Milionário e José Rico e Mato Grosso e Mathias.
Entre os cantores do sertanejo universitário, Arnaldo Galvão Bueno destaca os seguintes. “ Não existe nenhum que eu seja fã de verdade, gosto de João Bosco e Vinicius, João Neto e Frederico, Fernando e Sorocaba e Bruno e Marrone. Mas por enquanto estou apreciando somente algumas músicas! Não gosto muito do Luan Santana, pois pra mim o que ele canta não sertanejo, e sim pop rock”.
Maria Cecília e Rodolfo: Um dos maiores sucessos do sertanejo universitário
Mas o também aposentado João Manoel da Rocha, de 76 anos, é totalmente fiel ao sertanejo raiz. “Só gosto dos artistas antigos, odeio estas duplas novas, acho as letras chatas, muito românticas e sem originalidade, quando estou vendo TV e alguns destes artistas entram para cantar, desligo na hora. Dos mais ‘novos’, só gosto do Daniel e de Rio Negro e Solimões”.
Com uma extensa lista de discos de vinil, o aposentado diz com orgulho. “Guardo todos com o maior cuidado, minha coleção não tem preço”.
Querido por muitos e ainda odiado por alguns, o sertanejo universitário vem conquistando seu espaço, mas é importante que o de raiz nunca morra. Uma medida bacana das duplas da nova geração esta sendo a gravação de clássicos. Um exemplo são os jovens Hugo Pena e Gabriel que em seu último DVD, gravaram a canção Vou Tomá um Pingão, original de Tião Carreiro e Pardinho. A tradicional dupla Chitãozinho e Xororó, que gravou um disco com a participação de artistas como Luan Santana, Jorge e Mateus e Maria Cecília e Rodolfo.









